ENQUANTO JUSTIÇA IGNORA MAIS UMA VEZ VOZES DOS ATINGIDOS, IGREJA SUPLICA PARA QUE SEJAM PRORROGADOS PRAZOS DOS PROJETOS

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De acordo com as Instituições de Justiça, Estado de Minas Gerais e a VALE atingidos têm até o dia 5 de maio para debaterem sobre projetos com propostas de melhoria dos serviços públicos. Os recursos a serem liberados estão previstos no acordo fechado entre a Vale e o Governo de Minas de Gerais. No entanto, os curtos prazos impostos pelos anexos I.3 e I.4 do acordo, somados à pandemia, tornam, na prática, a participação dos atingidos impossível. O processo de reparação, tocado até então sem participação popular, permanece distante de qualquer justiça esperada pelos atingidos que, mais uma vez, ficarão sem voz. 

Nem mesmo o pedido feito pela Renser (Região Episcopal Nossa Senhora do Rosário - parte da Arquidiocese de Belo Horizonte) solicitando a prorrogação do tempo para a apresentação de projetos, pauta dos atingidos, das lideranças comunitárias, comissões de atingidos, dos moradores da zona urbana e rural e dos povos indígenas e quilombolas, foi o suficiente para sensibilizar as Instituições de Justiça e os Representantes do Governo de Minas Gerais. Depois de uma semana, eles permanecem calados.  

Inconformada, a Renser, encaminhou novo ofício às Instituições de Justiça (Ministério Público Estadual, Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, Ministério Público Federal) e ao Representante do Governo Mineiro reafirmando a preocupação dos atingidos com os curtos prazos impostos para a apresentação dos Projetos do Acordo da Vale com o Governo do Estado. O pedido foi protocolado na última sexta-feira, 23 de abril, dia de São Jorge. 

No documento, a Renser destaca o cenário atual da pandemia, que tem provocado o adoecimento de muitos e tirado a vida de pessoas queridas em todo o Vale do Rio Paraopeba. Menciona a dificuldade que muitas comunidades vêm enfrentando quanto se trata de participar de encontros virtuais, uma vez que, a realidade de muitos que habitam a região é a de pouco ou nenhum acesso à rede de internet e telefonia celular. 

Além do mais, a Renser ressalta a decepção, preocupação e a angústia dos atingidos com os prazos curtos impostos pelo Acordo construído entre Vale e o Governo do Estado de Minas Gerais, cuja participação popular sempre foi negada. Deste modo, pede às Instituições que os prazos sejam imediatamente prorrogados para que se garanta a ampla participação de todos e todas as comunidades atingidas pelo crime. Denuncia que a participação popular nesse processo é ilusória. Nesse Acordo, sem participação verdadeira, os atingidos não terão o seu direito à reparação digna assegurado!